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'Sair do grupo' x 'conversar': 5 passos para analisar e até retomar relações abaladas pelas eleições

Psiquiatras e psicólogos recomendam, antes de mais nada, avaliar cada relação de forma individual e saber diferenciar discursos que motivaram rompimentos.

Como retomar vínculos afetivos quebrados ou enfraquecidos pelas eleições de 2018? Em cinco passos, psicólogos e psiquiatras ouvidos pelo G1 apontam o que fazer diante de um país dividido nas urnas e nos grupos de WhatsApp. Até mesmo os especialistas divergem nas respostas — mas concordam que é necessário, acima de tudo, avaliar cada relação, analisar o conteúdo das brigas, assumir que as diferenças existem, valorizar o diálogo e pedir ajuda quando necessário.

Antes de detalhar os passos, vale colocar em perspectiva o nosso momento: não somos os primeiros! Estudo (veja ao fim da reportagem) mostrou que as eleições de 2016 nos EUA causaram estresse sobretudo em integrantes das minorias — tanto raciais quanto socioeconômicas, assim como as mulheres.

Aqui no Brasil, a polarização chegou a ter registros de casos de violências. Mais comuns, no entanto, foram os problemas entre amigos e familiares, levando até mesmo psicólogos e psiquiatras a relatarem aumento da procura por atendimento nos consultórios.

Para quem saiu de algum grupo, deu unfollow ou se meteu em tretas, veja abaixo o roteiro básico para avaliar como refazer as relações perdidas:

1 - Avaliar a importância das relações abaladas

Os especialistas ouvidos pelo G1 sugerem uma primeira avaliação: a relação rompida é importante? Tudo vale a pena ser mantido?

Para Antonio Nardi, professor do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, de modo geral “os laços sempre valem a pena ser re-estabelecidos”.

A psicóloga e professora da Ufba Vládia Jucá acrescenta que vale avaliar as motivações de cada relacionamento.

2 - Analisar o conteúdo das tretas

Outro passo importante, depois de avaliar a importância das relações, é analisar os fatos. É preciso, segundo eles, saber diferenciar "o discurso de ódio" daquilo que foi declaração de "intenção de voto".

A professora Vládia Jucá destaca a necessidade de se avaliar cada caso individualmente. “Uma coisa é a ruptura apenas a partir da manifestação da intenção de voto, outra é a que foi pautada na circulação por um familiar, por exemplo, de uma série de mensagens de ódio. São situações bem diferentes”, pontua.

3 - Assumir que é permitido pensar diferente

Após analisar "quem" e "o que" foi dito, é hora de cada pessoa interessada em refazer as relações pensar que é preciso respeitar as diferenças e reconhecer suas próprias limitações.

Para o psicólogo Luiz Carlos Azevedo Moris, as eleições representam um desafio para que as pessoas conheçam, além da opinião do outro, os seus próprios limites e valores pessoais. Ele recomenda esperar o período eleitoral terminar para ponderar.

4 - Diálogo é fundamental

No quarto passo, é hora de analisar e conversar em buscar do consenso. “As pessoas têm que entender que o ódio não tem lugar numa civilização. O radicalismo para qualquer lado é sempre prejudicial ao diálogo”, avalia Antonio Nardi.

Ainda segundo os especialistas ouvidos pelo G1, é preciso analisar que diferentes grupos sociais e indivíduos sofrem de forma diversa o peso do atual debate político.

“Populações que historicamente vivenciaram um processo de exclusão são muito mais sensíveis à manutenção de um estado democrático de direito. Não dá para exigir delas uma compreensão com aquilo que muitas vezes não pode ser compreendido”, afirma a professora Vládia Jucá.

O psicólogo Luiz Carlos Azevedo Moris acredita que o diálogo entre posições divergentes é possível — especialmente porque, lembra, ainda não se sabe qual será o cenário no país a partir de 1º de janeiro.

“O regime, seja qual for, vai precisar absorver esse espectro natural de pessoas mais conservadoras e liberais. Se praticamente metade do país apoiou o outro candidato, não dá pra querer que ele suma”, afirma.

5 - Se preciso, procure ajuda

Por fim, se o momento político causa tanta angústia que as conversas por si só não foram capazes de afastar, pode ser hora de procurar ajuda profissional. O psiquiatra Higor Caldato acredita que boa parte dos problemas podem ser resolvidos no diálogo entre os envolvidos, mas destaca que nem todos conseguem lidar com todo o estresse sozinho. Os profissionais têm notado, inclusive, um aumento na busca por apoio psicológico por causa das eleições.

O psiquiatra Higor Caldato lembra que é importante fortalecer alguns alicerces como a estrutura familiar, relacionamentos amorosos, entre amigos, que são importantes ao longo da vida. São pontos de equilíbrio muito importante para criar uma blindagem emocional, proteção contra o desenvolvimento de alguns transtornos.


Estudo nos EUA

Os brasileiros não são os primeiros a passar por momentos difíceis causados por eleições. Uma pesquisa realizada com alunos da Universidade do Estado do Arizona, publicada no ‘Journal of American College Health’ no último dia 22, mostrou que as eleições de 2016 foram um motivo de “estresse significativo” para os estudantes.

Fonte: G1

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