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O brilho da OUSADIA

O sucesso de um negócio passa pela capacidade do empreendedor de buscar o diferente, o quase-impossível. E só quem supera o medo de ousar é capaz de conseguir isso

Quanto mais difícil, melhor. O ditado mostra que, quando o brasileiro sonha em montar um novo negócio ou quer criar um mercado, a fé e a vontade são, na maioria das vezes, suas únicas armas para vencer. Mas isso já não é novidade e o Brasil está entre os países mais empreendedores do mundo. Pelo menos é o que mostra a pesquisa da London Business School e da Babson College (EUA), a GEM Global 2001, em que o país aparece em quinto lugar entre 29 países analisados. Mas será que e brasileiros têm mesmo ousadia para criar novos negócios, produtos ou serviços que não existem no mercado? Até que ponto o empreendedor nacional está disposto a correr riscos? Em algum momento sua história o verdadeiro empreendedor precisa ter pelo menos um minuto de ímpeto nas suas decisões.

Para responder a essas perguntas, a revista Empreendedor foi ouvir os especialistas mais experientes em Empreendedorismo do país e descobriu duas questões centrais sobre a amplitude da coragem nacional: muitos de nossos empreendedores criam negócios por falta de oportunidade de trabalho, os chamados empreendedores por necessidade; mas, apesar de esta parcela ser alta, o brasileiro tem um alto grau de ousadia, aceita assumir riscos e tem a pró-atividade para criar novas empresas.

Para José Carlos Dornelas, especialista nacional em Empreendedorismo e atualmente professor visitante na Babson College, o problema está centrado na inovação, ou seja, o produto da ousadia empresarial. “Quando falamos em inovação em termos mundiais, ainda estamos bem atrás de nações desenvolvidas. O empreendedor na América Latina e, em particular, no Brasil inovam. Na verdade, a inovação em termos de produto e processos é mais comum que inovação em termos de criar novos mercados”, acredita Dornelas. Para o autor do best seller Empreendedorismo – Transformando Idéias em Negócios, essa, sim, é a grande inovação e a mais difícil de ocorrer. Ele acredita que 85% dos novos negócios são réplicas de negócios já existentes, e apenas 15% dos novos negócios criam novos mercados.

Dornelas aponta cinco fatores que inibem a ousadia dos empreendedores brasileiros. O primeiro é que existe um grande gap no Brasil quando falamos de inovação e transferência de tecnologia. A outra questão central é que nosso empreendedor, infelizmente, ainda carece de capacitação empreendedora de qualidade, que lhe forneça o skill necessário para identificar oportunidades, criar a empresa e gerenciá-la de maneira eficaz.

“Muitos acreditam que pelo simples fato de terem criado uma empresa são empreendedores. Isso nem sempre é verdade”, diz o especialista. Os outros três pontos citados por Dornelas são a falta de uma estrutura tributária e trabalhista mais adequada aos pequenos e novos negócios; a desburocratização da criação de empresas; e a necessidade de mais opções de financiamento e capitalização, como capital de risco, e a cultura do angel investor.

Nesse caso, as pessoas físicas deveriam investir mais em negócios como capitalistas. “Temos muito a fazer e isso mostra que nossos empreendedores de sucesso são verdadeiros heróis, já que apesar disso tudo conseguem vencer e atingir seus objetivos”, resume. Para o especialista em Empreendedorismo, a ousadia e o arrojo empresarial não estão fora de moda no Brasil. Mas, segundo ele, grande parte dos empreendedores está tentando sobreviver primeiro e depois competir, ousar e crescer.

Mesmo assim, diz Dornelas, nossa produção científica tem crescido muito nos últimos anos e temos desenvolvido inovações de benchmarking mundial. Ele cita os exemplos do mapeamento do Genoma da cana-de-açúcar, da extração de petróleo em alto mar e da aviação de médio porte realizada pela Embraer. “Temos empresas genuinamente nacionais despontando como grandes players no mercado, como a Natura, por exemplo, que tem focado na pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e vem se destacando”, lembra.

Outro exemplo de ousadia na área tecnológica é a urna eletrônica, produto que foi estimulado por um edital do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em que empresas e institutos de tecnologia tiveram que ser empreendedores para desenvolver o conceito e o produto. Isso porque não havia solução disponível no mercado que atendesse a essa demanda da sociedade brasileira. Marcelo Ferreira Guimarães, superintendente de Tecnologia da Fundação Certi (Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras), entidade responsável pela criação da urna e ligada à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), conta que os principais desafios eram os prazos muito apertados e o desenvolvimento de tecnologias robustas para a urna. Isso devido à necessidade de otimização do consumo de energia elétrica e de um sistema de bateria para que a urna tivesse autonomia para funcionar em locais onde não há energia elétrica, durante todo o dia da votação. Segundo ele, para que projetos como esse se multipliquem no país, ainda falta uma integração maior e rotineira entre os sistemas de Ciência & Tecnologia e os setores produtivos e financeiros do país. “Já existem vários exemplos no Brasil onde há essa integração e os resultados de sucesso são concretos, como nas regiões de Florianópolis e de Recife, por exemplo, onde se tem uma forte interação entre universidades, institutos de tecnologia, empresas e investidores”, afirma.

O que é ousadia

“A ousadia é irmã da adversidade, assim como a necessidade é mãe da criatividade, e por isso vivemos em uma família muito profícua chamada Brasil.” (Mário Persona)

“Ousadia e arrojo não são modismos, são características do brasileiro.” (Laércio Cosentino)

“O empreendedor brasileiro é tão ousado como qualquer outro no mundo. Isso porque empreender no Brasil é lutar contra tudo e contra todos.” (Fernando Dolabela)

Pensando nessa distância, a questão cultural também é destacada por Dornelas. Segundo ele, o brasileiro despreza a teoria da destruição criativa formulada pelo economista Joseph Schumpeter. A idéia central dessa tese é que os empreendedores contribuem para a formação de riqueza do país usando esse processo sem medo de  fechar portas ou falir. “O brasileiro ainda considera que quem faliu é incompetente.

Para mudar isso, precisamos construir estudos de casos com empreendedores brasileiros reais e usá-los como exemplos nas salas de aula. Muitos dos empreendedores de sucesso já faliram nas primeiras tentativas mais de uma vez”, garante. Ele também destaca que o foco é essencial, mas não se pode confundir foco com teimosia. “Tenha foco naquilo que você já analisou e em que viu reais possibilidades de êxito”, recomenda.

Fonte: Revista Empreendedor

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